Os Deuses Devem Estar Loucos

O dia 1 de Dezembro marca o início oficial da época natalícia na minha família. A matriarca, neste caso a minha avó, negoceia a data do jantar de Natal, recruta entre nós cozinheiros  para ajudarem no repasto e começa a árdua tarefa de distribuir os lugares à mesa. E apesar da família não ser muito numerosa, a energia e tempo dedicado à nobre causa de proporcionar um belíssimo jantar de Natal é enorme.

E  ponho-me a imaginar as famílias onde o primo tem que evitar sentar-se ao lado do tio que, por sua vez, já vai no terceiro casamento dos quais resultaram filhos e enteados, mais a nora que é médica e estará de banco não sabendo a que horas chegará e o neto que traz a noiva pela primeira vez, noiva essa que já foi namorada do outro neto que ainda não recuperou do coração partido. 

Sinto-me abençoada e acredito piamente que a minha avó foi poupada a perder anos de vida pelo facto de sermos uma família tão simplória e aprazível.

Mas vamos ao que me trouxe aqui hoje. A minha loucura por iogurte grego. Uso para tudo e em substituição de praticamente tudo. É quase uma questão religiosa.

E assim parti em busca do Deus que na mitologia grega fosse associado a tão precioso alimento. Mas nada encontrei. Há a divindade da dança rupestre, do mel e até a da iniciação aos ritos de Baco mas nem vislumbre do Deus do iogurte. E ao pesquisar descobri deuses que castraram o progenitor, pais que devoraram os filhos, irmãos casados, e toda e qualquer obscenidade que se possam lembrar. E pergunto-me: quem organizava os jantares de família? Um deus que deve estar louco. 

The Gods Must Be Crazy

The 1st of December marks the official opening of the Christmas season in my family. The matriarch, i.e. my grandmother, negotiates the day of the Christmas supper, recruits family cooks to help out with the meal and begins the arduous task of choosing the seating placements. And even though my family is not a large one per se, the time and energy dedicated to the noble cause of providing an exquisite dining experience is enormous.

And I find myself wandering about families where the cousin cannot be seated next to such uncle, who in turn is going on his third marriage with children and stepchildren involved, plus the daughter-in-law who´s a doctor by profession and is on call and  cannot estimate a time of arrival, in addition to the grandson that is bringing his fiancée for the first family gathering, the same girl who in the past gave the other grandson a broken heart.

I feel blessed and truly believe that my grandmother has been spared the shortening of her lifespan simply due to the fact that we are a simple and pleasant family.

But let´s talk about what brought me here today. My insane love of greek yoghurt. I use it in everything and as a substitute for practically anything. It is almost a religious affair.

And thereby began my search for a God that in Greek Mythology would oversee this precious food. But I could find none. There is a deity for rupestrian dance, for honey and even for the initiation rites performed by Bacchus but never a glimpse of a Yoghurt God. And during my research I stumbled upon children who had their parents castrated, fathers who devoured their sons, married brothers and any and all other obscenities you might think of. And I wonder: who planned the family gatherings and made the seating arrangements? A god that must be crazy.

Para 2 porções como prato principal e 4 porções como acompanhamento

  1. Lave e seque as acelgas e corte grosseiramente.
  2. Numa tigela grande, verta 2 litros de água a ferver e junte as acelgas e 1 colher de sopa de sal grosso. Após 3 minutos, escorra e reserve.
  3. Num tacho aqueça o azeite virgem extra e junte as cenouras cortadas em cubos e as sementes de cominhos. Cozinhe durante 5 a 7 minutos. 
  4. Junte o grão lavado e escorrido e as acelgas e cozinhe durante mais 5 minutos.
  5. Junte as ervas aromáticas picadas, o sumo de um limão pequeno, 2 alhos espremidos, 2 colheres de sobremesa de sal grosso e bastante pimenta preta acabada de moer. Retire do lume e misture bem. 
  6. Sirva quente ou à temperatura ambiente com iogurte grego temperado com sal, pimenta preta acabada de moer e azeite virgem extra.

Serves 2 as a main course or 4 as a side dish

  1. Wash and dry the chard and chop roughly.
  2. In a large bowl, pour 2 litres of boiling water and add the chopped chard and 1 tbsp of coarse sea salt. After 3 minutes, drain and set aside.
  3. In a pan, heat the extra virgin olive oil and add the carrots diced in cubes and 2 tsp of caraway seeds.Cook for 5 to 7 minutes.
  4. Add the rinsed chickpeas and the chard and cook for another 5 minutes.
  5. Add the chopped herbs, the juice of a small lemon, 2 crushed garlic cloves, 2 tsp of coarse sea salt and plenty of freshly ground black pepper. Remove from the heat and mix well.
  6. Serve warm or at room temperature with greek yoghurt seasoned with salt, freshly ground black pepper and extra virgin olive oil.

Ingredientes

  • 400 grs de acelga
  • +/- 500 grs de grão cozido
  • 4 cenouras
  • 2 colheres de sobremesa de sementes de cominhos
  • 2 colheres de sopa de azeite virgem extra
  • 2 colheres de sopa de hortelã fresca picada
  • 2 colheres de sopa de coentros frescos picados
  • 2 dentes de alho espremidos
  • Sumo de 1 limão pequeno
  • Sal grosso e pimenta preta acabada de moer
  • Iogurte grego

Ingredients

  • 400 grs of chard
  • +/- 500 grs canned chickpeas
  • 4 carrots
  • 2 tsp of caraway seeds
  • 2 tbsp of extra virgin olive oil
  • 2 tbsp of chopped fresh mint
  • 2 tbsp of chopped fresh coriander
  • 2 garlic cloves, crushed
  • Juice of 1 small lemon
  • Coarse sea salt and freshly ground black pepper
  • Greek Yoghurt