Memories

Memories are tricky. You would like to remember someone for his extreme kindness, loving nature or loyalty to friends but what keeps popping into mind is that person´s strange fondness for collecting teacups. Or the silly noises they make when giggling.

Father´s Day came and went and, naturally, memories of my late father were plenty but not more significantly than any other day. Because the things that trigger those recollections come in small packages and day to day events: when I am shopping for steaks and choose the cut with a little fat. My father loved a good steak and always said that these were the tastier ones. Hugging my children just because I can. Dad was forever looking for affection and any kiss or hug he could steal was one more under his belt. Laughing so hard that tears came to his eyes. Yes, he had a hard time getting back into a composed state after something started him off. And his snore. A dauntful yet delightful experience. When I thought it was safe to slip away from the living room to smoke a cigarette undetected, I was misled because his loud snore was not indicative that he was in a deep sleep. I could never figure out if he would awake due to the loudness of it or if he was snoring whilst still awake.

And then there was that first time he took me to see a football match. Like any true fan of the whole football experience, the match must be preceded with a bite at the food trailers. That was my first encounter with crisp pork belly. Unforgettable: my father made sure I got a piece with the butcher´s stamp on it. 

So what can I say? That these memories are stronger than my father´s character traits? His heart-felt dedication to me and his loved ones, his warm nature and his search for the good things in life left a definite impression on me but I would describe them as a blanket that keep me snug and comfy all the time whereas these particular recollections I would call them my Dad timer. Every once in a while they buzz me into remembering him.

As memórias são traiçoeiras. Gostaríamos de recordar alguém pela sua extrema generosidade, natureza afável ou lealdade para com os amigos mas o que está sempre a surgir nos nossos pensamentos é a sua estranha predilecção por coleccionar chávenas de chá. Ou os barulhos peculiares que faz quando ri.

O Dia do Pai chegou e passou e, naturalmente, as memórias do meu pai foram muitas mas não mais significativamente que nos outros dias. Talvez porque o que despoleta estas recordações vem em pequenas doses e nos acontecimentos do dia-a-dia: quando estou nas compras a escolher um bife e prefiro um corte com um bocadinho de gordura. O meu pai amava um bom bife e sempre disse que estes eram os mais saborosos. Abraçar os meus filhos só porque posso. O meu pai estava sempre à procura de afecto e carinho e qualquer beijo ou abraço que pudesse roubar era mais um que ninguém já lhe o poderia tirar. Rir tanto que vinham lhe lágrimas aos olhos. Sim, era muito difícil para ele recompôr-se depois de alguma coisa ter provocado o riso. E o seu ressonar. Havia algo de atemorizante mas ao mesmo tempo encantador. Quando achava ser seguro esgueirar-me da sala para ir fumar um cigarro às escondidas, enganava-me pois o seu barulhento ressonar não era um bom indicador de que estaria num sono profundo. Nunca consegui perceber se o volumoso ressonar o acordava ou se ressonava enquanto ainda acordado.

E depois houve aquela primeira vez que me levou ao futebol. Como qualquer genuíno fã da experiência futebolística, o jogo tinha que ser precedido por uma ida às roulotes. Esse foi o meu primeiro encontro com o courato. Inesquecível: o meu pai fez questão que eu tivesse um pedaço com o selo do talhante.

O que posso dizer então? Que estas memórias são mais fortes que os traços característicos do meu pai? A sua comovente dedicação a mim e aos que amava, a sua natureza calorosa ou a busca pelos prazeres da vida deixaram uma forte impressão em mim mas descreveria-as como um cobertor que me aconchega e conforta sempre e estas recordações em particular como um despertador. De vez em quando toca e desperta memórias dele.

Serves 6

  1. Marinate the pork overnight. In a baking tray place the sliced lemon and orange, sliced garlic heads, black peppercorns, rosemary sprigs, paprika, salt and wine. Squeeze the slices of fruit with your hands to release the juices. Place the pork on top with the skin facing upwards making sure the marinade will not touch the skin or it won´t crisp when roasting. Cover with foil and keep refrigerated.
  2. Soak the borlotti beans overnight. You can also use canned beans (borlotti or white) but they don´t have the same texture and depth of flavour.
  3. Preheat the oven to 150º C. Don´t turn the fan on if you have a fan-assisted oven.
  4. Rub the skin with plenty of coarse sea salt and place the meat in the oven for 2h 30 minutes.
  5. Meanwhile cook the beans in a pan with water and a head of garlic and the bay leaves. Cover and leave to cook for an hour or until the beans are tender but not falling apart. Drain.
  6. In a pan cook the sliced red chillies, the chopped garlic  and the anchovy fillets with 3 tbsp of olive oil for a couple of minutes. Add the beans and mix well. Add the lemon juice and adjust the seasonings with salt and freshly ground black pepper.
  7. Slice the red cabbage and the fennel bulb into very thin slices. Peel the apple and cut into matchsticks. Mix well adding the lemon juice, chopped parsley, chopped mint leaves and the olive oil. Season with fine sea salt and plenty of freshly ground black pepper.
  8. Take the pork out of the oven, sieve the marinade into a pot discarding the peppercorns, garlic and citrus fruit and place it again on the baking tray. Let the marinade cool down and then spoon out the fat that will gather on top.
  9. Up the temperature of your oven to 220ºC or 200ºC if fan-assisted and cook for another 30 minutes until skin is crispy. Cut into portions and serve.
  10. Heat the marinade and serve warm on the side with the crispy pork belly, the beans and the salad.

Para 6 porções

  1. Prepare a marinada. Num tabuleiro de assar coloque as rodelas do limão e da laranja, as cabeças do alho cortadas ao meio, os grãos de pimenta, os caules e rosmaninho, a paprika, o sal e o vinho. Esprema a fruta com as mãos para largar os sucos. Coloque o porco por cima com a pele virada para cima certificando-se que a marinada não cobre a pele se não esta não vai ficar estaladiça quando assar. Cubra com película aderente e guarde no frigorifico.
  2. Coloque o feijão de molho durante a noite. Também pode usar feijão enlatado (catarino ou branco) mas não tem a mesma textura e sabor.
  3. Aqueça o forno para 150º C. Não ligue a ventoinha se o forno a tiver.
  4. Esfregue a pele do porco com bastante sal grosso e leve a assar durante 2h 30 minutos.
  5. Entretanto cozinhe o feijão. Coloque num tacho com água a cobrir e uma cabeça de alho e duas folhas de louro. Tape e cozinhe por 1 hora ou até o feijão estar tenro mas sem se desfazer. Escorra.
  6. Num tacho salteie as malaguetas e o alho picado e os filetes de anchova em 3 colheres de sopa de azeite. Cozinhe por uns minutos. Junte o feijão e misture bem. Acrescente o sumo de limão e rectifique os temperos com sal e pimenta preta acabada de moer.
  7. Corte a couve roxa e o bolbo de funcho em fatias bem finas. Descasque a maçã e corte em palitos. Junte tudo e adicione o sumo de limão, a salsa picada, a hortelã picada e o azeite virgem extra. Tempere com sal fino e bastante pimenta preta acabada de moer.
  8. Retire o porco do forno, coe a marinada para um tacho deitando fora o alho, os grãos de pimenta e a laranja e limão. Deixe o molho arrefecer e retire a grande parte de gordura que se forma no topo.
  9. Aumente a temperatura do forno para 220ºC ou 200ºC se tem ventoinha e volte a colocar o porco por mais 30 minutos até a pele estar estaladiça. Corte em porções e sirva.
  10. Aqueça o molho e sirva quente ao lado do porco, salada e feijão.

Ingredients

  • 1,5 to 1,8 kg pork belly
  • 500ml of white wine
  • 2 heads of garlic, sliced
  • 1 orange, sliced
  • 1 lemon, sliced
  • 4 sprigs of rosemary
  • 2 tbsp paprika
  • 2 tbsp coarse sea salt
  • 1 tbsp black peppercorns

For the beans 

  • 250g dry borlotti beans (or 500g canned beans)
  • 2 bay leaves
  • 1 head of garlic
  • 2 red chillies, deseeded and sliced
  • 2 garlic cloves, chopped
  • 6 anchovy fillets
  • 3 tbsp of extra virgin olive oil
  • Juice of 1/2 lemon
  • Fine sea salt and freshly ground black pepper

For the salad

  • 1 fennel bulb
  • 1/2 red cabbage
  • 2 Granny Smith apples
  • 1/2 cup of parsley, chopped
  • 2 tbsp of mint leaves, chopped
  • 2 tbsp lemon juice
  • 4 tbsp extra virgin olive oil
  • Fine sea salt and freshly ground black pepper

 

Ingredientes

  • 1,5 a 1,8 kg de lombo porco corte inglês
  • 500 ml de vinho branco
  • 2 cabeças de alho, cortadas ao meio
  • 1 laranja, fatiada
  • 1 limão, fatiado
  • 4 caules de rosmaninho
  • 2 colheres de sopa de paprika
  • 2 colheres de sopa de sal grosso
  • 1 colher de sopa de grãos de pimenta preta

Para o feijão

  • 250g de feijão catarino seco (ou 500g de feijão enlatado)
  • 2 folhas de louro
  • 1 cabeça de alho
  • 2 malaguetas vermelhas, sem sementes e fatiadas
  • 2 dentes de alho, picados
  • 6 filetes de anchova
  • Sumo de 1/2 limão
  • Sal fino e pimenta preta acabada de moer

Para a salada

  • 1 bolbo de funcho
  • 1/2 couve roxa
  • 2 maçãs Granny Smith
  • 1/2 chávena de salsa picada
  • 2 colheres de sopa de hortelã picada
  • 2 colheres de sopa de sumo de limão
  • 4 colheres de sopa de azeite virgem extra
  • Sal fino e pimenta preta acabada de moer