Smells of Summer

There is something irresistible about coconut. Even during the first twenty years of my life when I hated anything that even remotely tasted of coconut, to it´s smell I reacted in a totally different way. I catch a waft of its scent and I feel an uncontrollable desire to strip into my bikini and lay flat on the ground awaiting the sun rays that are surely to come. Because the smell of coconut hides a promise of summer and sunbathing. Of total release. No schedules and no carpools. A daiquiri after a long stroll on the beach is  your only commitment. 

Pure happiness. That´s how I relate to coconut.

Open an old trunk of stored clothes and what´s in store is a long trip down memory lane. I am back in my grandmother´s house at the age of seven or eight and we are trying on old hats and feather boas. Everytime I get a sniff of mouldy clothes my eyes water and  nostalgia hits hard.

What about the first heavy rain after some very warm days?! Words fail to describe that earthy smell that you can almost taste. Where are you right now? I have just left my hotel room in a far away country and I am looking for shelter under some humungous green leaves that sprout from a tropical tree.

Mint is a journey to the core of Portugal where scorpions are found under boulders; water springs are fertile ground for mint to grow and tadpoles are everywhere from fountains to puddles. My memories are populated by my cousins and our hikes across hillsides and trails. I have scary flashbacks of a fire mantelpiece laden with jars filled with the latest scorpion catch preserved in ethanol. But the scent of this herb also takes me to Marrakech and to the taste of mint tea and piles of inimaginable spices and scents.

Ask someone to draw a picture of a beach and I bet that somewhere in the scenery you will find some coconuts dangling off a palm tree. Some associations between scents and memories strike us as surprising and we might need to dig deep into our memory pool to relive the moment or emotion that made the first imprint. Others are so strong that one particular smell is inseparable from one specific action. Give me a fireplace, the smell of wood burning in a damp and cold night, and I can´t fight the urge to pop open a bottle of red wine. If I ever decide to go abstemious I am sure I will need hours and hours of therapy to be able to enjoy a fire and not dash to fetch a cork screwer!

But summer is here and for now I will bask in the sun whilst splashing myself with luxurious coconut oil sunscreen and reinforce my happy memories. And have a slice (or two) of this fabulous Coconut Chiacake.

 

Há algo de irresistível no coco. Mesmo durante os primeiros vinte anos da minha vida em que odiava tudo que soubesse nem que fosse remotamente a coco, ao seu cheiro sempre tive uma reacção totalmente diferente. Apanho uma baforada do seu perfume e sinto um impulso incontrolável de pôr o biquini e deitar-me no chão à espera dos raios de sol que seguramente irão aparecer. Porque o cheiro do coco esconde uma promessa de verão e banhos de sol. De liberação total. Sem horários e sem obrigações. Um daiquiri depois de um longo passeio na praia é o único compromisso.

Felicidade pura. Essa é a minha relação com coco.

Abrir um velho baú de roupas e o que nos reserva é uma longa viagem de regresso ao passado. Estou de volta à casa da minha avó com sete ou oito anos e estamos a experimentar chapéus antigos e estolas de plumas. Cada vez que detecto um cheirinho a roupa com bafio os meus olhos enchem-se de lágrimas e as saudades batem forte.

E a primeira chuva depois de uns dias muito quentes?! As palavras não chegam para descrever o cheiro a terra que quase conseguimos saborear. Onde está neste preciso momento? Eu deixei agora mesmo um quarto de hotel num país longínquo e estou à procura de abrigo debaixo de umas folhas verdes enormes que brotam de uma árvore tropical.

A hortelã marca o regresso ao centro de Portugal onde se descobrem lacraus debaixo de pedregulhos; as nascentes são chão fértil para a hortelã crescer e há girinos em todo o lado desde fontes a meras poças. As minhas memórias estão povoados pelos meus primos e as nossas caminhadas por encostas de montes e trilhos. Vislumbro sobre uma lareira os jarros com a última captura de lacraus preservados em etanol. Mas o cheiro desta erva aromática também me transporta para Marrakech e ao sabor do chá de menta e aos montículos perfeitos de cheiros e especiarias inimagináveis. 

Peça a alguém para desenhar uma praia e aposto que algures no cenário estará desenhado um coqueiro. Algumas associações entre cheiro e memória apanham nos de surpresa e talvez nos obriguem a procurar nas profundezas das nossas recordações pela sua ligação para revivermos o momento ou emoção que nos marcou. Outras são tão fortes que um cheiro em particular é inseparável de uma acção específica. Dêem-me uma lareira, o cheiro de lenha a arder numa noite fria e invernosa, e não consigo resistir ao impulso de abrir uma garrafa de vinho tinto. Se algum dia decidir virar abstêmia tenho a certeza que precisarei de horas e horas de terapia para poder apreciar uma boa lareira sem desatar a correr para ir buscar o abre-garrafas!

Mas o Verão está ao virar da esquina e por agora vou me deleitar em banhos de sol bem lambuzada de protector solar de óleo de coco e reforçar o banco de boas memórias. E comer uma (ou duas) fatias deste fabuloso Chiacake de Coco.

 

Coconut Chiacake with Papaya Dressing

Coconut Chiacake with Papaya Dressing

Serves 8 to 10

  1. Place the almonds in a blender and pulse until they are finely chopped but not ground. Pour into a bowl and set aside.
  2. Place  the pitted medjool dates into a blender and pulse until they start to turn into a purée. Add the chopped almonds and mix together.
  3. Oil the bottom of a 20 cm springform cake tin with coconut oil and pour the date and almond mixture on top. Press with your hands and then use the back of a spoon to smooth the mixture. If it is sticky just dip the spoon into the coconut oil before smoothing.
  4. Wash the blender and add the coconut milk, coconut oil, greek yoghurt, chia seeds and honey and slowly blend until all ingredients are well mixed together. Pour into the cake tin and use clingfilm to protect the chia cake for cooling in the refrigerator.
  5. Keep at least for 24 hours in the refrigerator.
  6. Put the deseeded and peeled papaya in the blender with the lime juice and honey and blend until smooth.
  7. Before removing the cake tin, pass a fine knife blade around the edges of the cake. Serve cool with the papaya dressing on the side.

Para 8 a 10 porções

  1. Coloque as amêndoas num copo misturador e pique finamente mas sem estarem totalmente moídas. Retire e coloque numa taça.
  2. Coloque as tâmaras sem caroço no copo misturador e pique até estarem quase em puré. Junta as amêndoas e misture bem.
  3. Unte o fundo de uma forma de bolos de 20 cm com mola com óleo de coco e coloque a mistura das tâmaras e amêndoas e pressione com as mãos. Para alisar use a parte de trás de uma colher. Se a mistura estiver pegajosa, basta mergulhar a colher no óleo de coco e depois alisar.
  4. Lave o copo misturador e depois coloque o leite de coco, óleo de coco, iogurte grego, sementes de chia e mel e bata numa velocidade baixa até todos os ingredientes estarem bem misturados. Entorne para a forma de bolo e tape com película aderente para proteger o chiacake enquanto vai ao frio.
  5. Coloque no frigorífico por um mínimo de 24 horas.
  6. Coloque a papaia descascada e sem sementes no copo misturador juntamente com o sumo de lima e o mel e bata até ficar cremoso. 
  7. Antes de retirar a forma, passe uma faca fina pelas extremidades do bolo. Sirva frio com o molho de papaia ao lado.

ingredientes

Para a base

  • 350g de tâmaras Medjool sem caroço
  • 250g de amêndoas torradas e com sal

Para o recheio

  • 400g de iogurte grego
  • 400ml de leite de coco
  • 100g de sementes de chia
  • 3 colheres de sopa de óleo de coco
  • 4 colheres de sopa de mel

Para o molho

  • 2 papaias pequenas
  • Sumo de 3 limas
  • 3 colheres de sopa de mel

ingredients

For the crust

  • 350g pitted Medjool dates
  • 250g toasted and salted almonds

For the topping

  • 400g full-fat greek yoghurt
  • 400ml coconut milk
  • 100g chia seeds
  • 3 tbsp coconut oil
  • 4 tbsp honey

For the dressing

  • 2 small papayas 
  • Juice of 3 limes
  • 3 tbsp honey